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domingo, 10 de junho de 2018

Cronica do tempo recitado por Rolando Boldrin




«O mundo é um relógio, e o dinheiro é a mola que controla os relógios dessa vida. 
Se o senhor tiver tempo pra ouvir minha historia eu começo lhe contando que toda minha vida foi um grande desencontro entre o tempo e as oportunidades.
Deus nosso senhor que perdoe-me a sinceridade mas até hoje não entendi porque é que pra tudo na minha vida eu sempre cheguei muito tarde ou muito cedo; 



Pra começar nasci fora de tempo, sou de sete meses, e se foi cedo de mais pra dar dores e tristezas a minha mãe com essa minha pressa de nascer, foi tarde de mais pra dar alegria ao meu pai coitado, ele morreu antes de me conhecer, ai começa o meu rosário com o tempo.
Já na idade de ir pra escola foi um tormento, minha mãe coitada corria pra lá e pra cá comigo de mão dada e sempre recebendo o mesmo desengano coitada, "Não pode dona, só pro ano que vem é cedo ainda" ou então "Tarde mais dona as matriculas já estão todas fechadas". 
Com o tempo eu fui crescendo, já mocinho eu procurava emprego, porta de oficina, serviço diferente, coisa de pequena paga e aquelas palavras do tempo me seguindo, sempre acontecendo comigo como um relógio do destino, "Olha moço não tem vagas, se você tivesse sido esperto... Agora o quado de funcionários já está completo". 




Eu me lembro que até pra o amor eu me atrasei, quando pra aquela garota que eu gostava me declarei ela falou pra mim, "Você chegou tarde de mais, já dei meu coração pra outro rapaz". 
Mesmo assim um dia me casei e desse casamento nasceu um menino muito bonito, foi a unica coisa que me chegou na hora certa, porque ele foi a porta aberta para o meu riso, riso que eu já nem sabia mais como era o jeito; dei a ele o nome de Vitorio, ia ser meu grande vingador, pra me vingar do tempo, das horas, dos relógios e até dos segundos; pra me vingar dos donos desse relógio que é o mundo, o meu grande vingador...
Vitorio foi crescendo como pode, logo já tinha cinco anos, e a vida, o tempo como um inimigo traidor sempre me espiando, um dia meu filho adoeceu como toda criança e eu trabalhava num faz de tudo, pra nada lhe faltar, num dia só fui camelô, entregador de encomenda, jardineiro, Tudo! 
E chegava em casa cansado e cheirando mal de suor, pra lhe abraçar e lhe beijar, e o coitadinho doentinho dava dó, estava sofrendo. 



Então trouxe o Medico para vê-lo, que logo me disse como homem bom que era, "Corre vá logo comprar esse remédio, quem sabe com isso ele não melhora". 
Como eu não tinha dinheiro para o remédio, peguei um despertador lá de casa a unica coisa de valor, pensando que podia vender ele num brechó, e sai correndo muito; até hoje não entendi porque ouvi uns gritos na rua "Pega ladrão" e gente se aproximando de mim, quem sabe pensando que eu fora de fato algum ladrão, e foi soco, abordoada e quando eu pude perceber já estava de pé na frente de um delegado. 
Doutor, meu filho ta doente, ta morrendo, por favor eu tenho aqui a receita olha, e supliquei já chorando e o delegado já acreditando disse ao guarda, "pega o carro" leva o moço e me dando do seu dinheiro disse, "Corre compra o remédio do seu filho". E eu fui correndo e comprei o remédio e voltei como um raio, mas como sempre na vida eu corri contra o tempo, esse covarde...
Quando abracei meu filho foi que eu vi, mais uma vez eu tinha chegado tarde...»


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resiliencia




Constantemente, passamos por situações que esgotam as nossas forças e minimizam os nossos ânimos. Por mais que tentemos escapar, inevitavelmente nos dececionaremos com as pessoas, seremos rejeitados por alguma paixão, reprovaremos em provas e concursos, seremos preteridos em vagas de empregos ou em promoções em nosso trabalho, choraremos o luto de pessoas especiais, dentre tantos outros reveses pelo caminho.




Estamos sempre preparados para receber o melhor em nossas vidas, ao passo que fugimos à necessidade de estarmos prontos a enfrentar o avassalamento que certos momentos trarão – e eles virão. Parece-nos ser muito natural expormos os sucessos, as conquistas, tudo aquilo que deu certo em nosso caminho, porém, dividirmos nossos equívocos e fracassos chega a ser quase impossível, uma vez que negar algo parece afastar aquilo de nós. 
Negar nossos fracassos não os impedirá de baterem à nossa porta, obrigando-nos a encarar nossas fraquezas, a refletir sobre o que viemos fazendo de nossas vidas, para que possamos repensar e operar mudanças que nos tornem habilitados a deixar de cometer os mesmos erros. É inevitável despendermos tempo para voltarmos nossas atenções ao nosso pior, digerindo aquilo tudo e renascendo para novas tentativas, com a mente reoxigenada



O tempo nos ensina a confiar nele e nas verdades que ele sempre nos traz, bem como na infalibilidade da colheita a que todos estaremos sujeitos, de acordo com a qualidade das semeaduras que deixamos pelos caminhos. É preciso que estejamos conscientes de que muito do que sofremos é resultado tão somente de nossas ações, ou seja, agir com vistas às futuras consequências do que fazemos hoje nos poupará de amanhãs dificultosos.

Após as devastações emocionais que passam por nossas vidas, derrubando tudo o que há pela frente, minando nossos sentidos e roubando nosso fôlego, será o momento de decisão, de retomada, de reerguimento. A dor, a revolta e o esgotamento de forças que fatalmente nos invadirão serão úteis, para que esgotemos nossa tristeza, sorvendo-a até que se esvazie e sejamos preenchidos pela construção paulatina de certezas cheias de esperança, com a ajuda dos amigos, da família, do parceiro, de quem, indubitavelmente, estará sempre conosco, junto, disposto, com acolhimento sincero e sorriso verdadeiro.



Trata-se de um processo lento, que requer paciência e resignação, fé e confiança em nós mesmos, em nossa capacidade de nos reinventarmos, de solucionarmos o que parecia impossível, de observar de uma forma reflectida, o mundo à nossa volta, aprendendo e reaprendendo a cada dia. Não poderemos agir e escolher corretamente o tempo todo, mas poder contar com amor verdadeiro nos apoiando fará toda a diferença nos momentos em que a vida não dá certo. 


Fatores da resiliência

Administração das Emoções - habilidade em se manter sereno diante de um problema. Também se refere a capacidade de usar as pistas de forma a compreender melhor as pessoas.

Controle de Impulsos - não se deixar levar impulsivamente por uma emoção.

Otimismo -  crença de que as coisas podem melhorar. Está relacionado com a esperança e convicção na capacidade de controlar o próprio destino.

Análise do Ambiente  - capacidade de identificar as causas dos problemas,  permitindo que a pessoa se coloque num lugar seguro. Se refere a capacidade de identificar quando é hora de falar e quando é hora de calar.

Empatia - significa a capacidade de compreender os estados psicológicos das outras pessoas (as emoções e sentimentos) e saber como agir.

Auto Eficácia  -  crença de ser capaz em resolver seus problemas.

Alcançar Pessoas  - capacidade de se vincular a outras pessoas, sem receios e sem medo. É a capacidade de se entrosar com a outras pessoas, construir redes de apoio.




A Resiliência não é só um traço de caráter hereditário que você tem ou deixa de ter, pode ser uma conquista pessoal.


http://www.equilibrioemvida.com/2016/08/resiliencia-levantar-se-toda-vez-que-vida-ferra-com-tudo/
Masten, A. S. (2001). Ordinary magic: resilience processes in development. American Psychologist

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Para a pessoa se poder dar não se pode esquecer dela própria.

Não se faça em pedaços para manter os outros completos



Frequentemente nos quebramos em pedaços para manter outras pessoas completas,para não abrir feridas ou não deixar que doam nelas aquelas feridas que já têm. Fazemos isso sem nos darmos conta ou, ao menos, sem darmos importância a isso.
Quando nos acostumamos a dar sem receber acabamos sentindo que dedicar-nos a nós mesmos é algo egoísta, mas nada mais longe da verdade. A troca é essencial em toda relação e toda pessoa precisa dela sendo um ser emocional.
Amar a nós mesmos é algo que devemos cultivar todos os dias para nos manter completos. Porque quando estamos despedaçados uma consequência direta é o sofrimento, e esta não deixa darmos o melhor de nós mesmos.

Quando ficamos em pedaços?

  • Ficamos em pedaços quando deixamos de cuidar de nós.
  • Ficamos em pedaços quando evitamos fazer aquilo que gostamos.
  • Nos despedaçamos quando deixamos de cultivar nossa felicidade ou quando postergamos nossos interesses.
  • Nos partimos em pedaços quando não nos escutamos nem nos prestamos ajuda.
  • Nos partimos em pedaços quando priorizamos as necessidades dos outros e não prestamos atenção às nossas.
  • Quando queremos ser perfeitos e deixamos de ser nós mesmos.
  • Quando tentamos agradar e maquiar nossa realidade ou nossa opinião.
  • Quando nos esquecemos do que precisamos e nos obrigamos a passar na frente de nossas necessidades os desejos dos outros.
  • Quando transformamos o sacrifício em obrigação.
  • Quando achamos que somos pessoas más porque nos afastamos de um ambiente que nos faz mal para respirar aliviados.
  • Quando cedemos a chantagens emocionais e favores que impedem nosso próprio crescimento.
  • Quando sacrificamos nosso bem-estar e nos deixamos levar pela inércia de quem nos acompanha mas nos atrasa, deixando de lado o que nos agrada para fazer com que os outros se sintam bem.
É complicado sim, por isso devemos optar pelo equilíbrio entre as paixões, o cuidado e a dedicação a si mesmo e ao outro. Se assim fizermos, viveremos deliciosamente contemplando nossa essência plena, sem exceções ou poréns.


Às vezes devemos esquecer o que sentimos para lembrar 

o que merecemos

Quando não temos reciprocidade estamos sendo agressivos com o princípio do equilíbrio, que devemos manter sempre para termos sucesso em nos mantermos completos e não nos despedaçarmos.
Devemos lembrar que as relações afetivas não são uma mera interação, mas exigem uma troca equilibrada e satisfatória que faça sentido quando colocada na nossa balançasocial e afetiva.
 Ou seja, não podemos fazer de nossas relações apenas oportunidades de "dar", mas também devemos procurar que haja um equilibrio com o "receber". Isso não é egoista nem mesquinho, mas sim enriquecedor.

Quem dá tudo em primeiro pessoa, quem se oferece inteiramente aos outros, não recebe nada em troca e não trabalha em si mesmo, termina sentindo-se vazio e machucado. Não podemos deixar de lado nossa autoestima para procurar a felicidade alheia, pois acabamos sendo vítimas da nossa própria atitude.

Só jogando com o interesse pessoal e o alheio podemos cultivar nosso próprio desenvolvimento sem deixar de lado o outro. Ou seja, mantendo a balança equilibrada, numa linha reta e perfeita.
Dar e receber são partes de um todo. Quando alcançado, esse todo nos faz sentir capazes de amar e merecedores de amor e reconhecimento. Baseando-se nisso devemos ser capazes de:
  • Manter nossos direitos: pode ser que em algum momento haja algo que não nos fará bem ou que simplesmente não nos agradará fazer. Nesse momento devemos fazer valer nosso direito de manter nosso próprio espaço.
  • Cultivar nossos interesses e passatempos: esta é a base para a satisfação, para a felicidade e para o crescimento pessoal. É importante que não deixemos de nos cuidar e de dar alimento aos nossos desejos.
Lembre-se de que as grandes mudanças sempre vêm acompanhadas de algumas dificuldades. Ainda que a mudança doa e seja incômoda, a melhora gradual lhe mostrará que longe de ser um fim, é a oportunidade do início de um grande momento emocional.

http://amenteemaravilhosa.com.br/nao-faca-pedacos-manter-outros-completos/?utm_medium=post&utm_source=website&utm_campaign=popular



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O luto e as crianças

"Para nós, adultos, pode ser um grande desafio lidar com a morte e, claro, para as crianças também. Normalmente, uma criança que perdeu alguém próximo só quer continuar com a sua vida normal. Não quer mais mudanças. Quer manter as suas atividades “como se nada tivesse acontecido”. Ao mesmo tempo, quer que os adultos entendam a dor que sente e saibam o momento exato em que necessita de um abraço."
Mikaela Övén

— Serás sempre o meu pequeno Benny — sussurrou ela. 
Ben lembrou-se de como costumava odiar esse nome. Agora adorava-o. 
— Eu sei — disse ele, com um sorriso. — E tu serás sempre a minha avozinha gângster. 
Mais tarde, já a avó tinha partido, Ben seguia em silêncio no banco de trás do carro dos pais, a caminho de casa. Estavam todos cansados de chorar. 
Já se via imensa gente nas ruas a fazer compras de Natal, as estradas estavam cheias de carros e havia uma longa fila para o cinema. Ben não conseguia perceber como era possível a vida correr normalmente quando algo tão grave e importante tinha acabado de acontecer. 
O carro virou a esquina e aproximou-se das filas de lojas. 
— Posso ir num instante à loja do Raj, por favor? — perguntou Ben. — Não demoro muito. 
O pai estacionou o carro e Ben foi sozinho até à loja. Caía uma neve muito leve. 
PLIM!, fez a campainha quando a porta abriu. 
— Ahh, jovem Ben! — exclamou Raj. O lojista percebeu o ar triste de Ben. — Aconteceu alguma coisa? 
— Sim, Raj… — balbuciou Ben. — A minha avó acaba de morrer. 
De alguma forma, dizê-lo em voz alta fez com que começasse outra vez a chorar. Raj apressou-se a sair de trás do balcão e deu um grande abraço a Ben. 
— Oh, Ben, lamento imenso. Há algum tempo que não a via e calculei que não estivesse bem. 
— Pois não. Raj, eu só queria dizer — disse Ben, fungando — muito obrigado por me teres ralhado daquela vez. Tu tinhas razão, a minha avó não era nada chata. Ela era maravilhosa. 
— A minha ideia não era ralhar contigo, Ben. Só achei que nunca te tinhas dado ao trabalho de conhecer verdadeiramente a tua avó. 
— E tinhas razão. Havia tanta coisa que eu nem imaginava. — Ben limpou as lágrimas com a manga.
Avozinha Gângster, David Walliams, Porto Editora, 2014


O processo de luto passa, normalmente, por três fases. Numa primeira fase, pode haver negação, choque e apatia. Na segunda fase, a do luto mais agudo, pode ter sentimentos como a tristeza, depressão, raiva, culpa, ansiedade, medo e dor física. Na última fase, dá-se início o processo de adaptação e aceitação da nova realidade.
A propósito deste tema, o psicólogo e autor Dr. Sameet Kumar faz a distinção entre “luto agudo” e “luto subtil”. O “luto agudo” corresponde àqueles momentos mais duros, mais difíceis de lidar, que se sentem como inultrapassáveis; o “luto subtil” refere-se aos momentos em que parece que estamos a respirar mais facilmente, a sentir as coisas com muito menos intensidade. Podemos ter a certeza de que a criança irá passar tanto por uma experiência como por outra, várias vezes.


De que forma a criança expressa o luto?
Quando uma criança sofre, queremos cuidar dela, protegê-la e confortá-la. Mas temos de calibrar o momento certo para o fazer. As crianças não conseguem nem querem ficar com a dor psicológica da perda durante muito tempo seguido. Por isso, é habitual, por exemplo, continuarem a brincar ou a fazer outras coisas para se livrarem dela. Mas, de repente, a dor pode reaparecer, passando de “subtil” a “aguda”, no meio de uma brincadeira ou outra situação que lembre a perda. É como se o luto chegasse, ficasse um pouco e partisse. Vem, fica e vai. Aliás, é o que acontece com todos os sentimentos. Quanto mais permitirmos e aceitarmos este processo, melhor. E, felizmente, as crianças têm bastante facilidade em passar da fase “aguda” à “subtil”.
Uma criança tem dificuldade em entender as consequências da perda, e demora a perceber o significado da morte e que a pessoa não irá voltar. Tende também a focar-se no aqui e no agora e são muitas as vezes em que os adultos interpretam isso como se ela “não se importasse”, “já se tenha esquecido”, “já se tenha habituado” ou “já tenha ultrapassado”, o que não é bem verdade e pode até levar a criança a sentir-se incompreendida. O mais provável é que dentro da cabeça da criança se estejam a formular muitas perguntas, mesmo que ela não as verbalize.
Uma criança que perde alguém muito próximo como um pai, uma mãe ou, por exemplo, uma avó com um papel importante na sua educação pode perder também a confiança na vida, nas outras pessoas, no futuro e em si própria. De repente, aquela pessoa que ela achou que ia estar sempre presente, já não está.
Além ou em vez do choro, a criança pode apresentar um comportamento agressivo e de muita raiva. Também pode exprimir a sua desilusão ou culpa, comportando-se de forma mais imatura, regredindo no comportamento. Pode sentir dificuldades em dormir e começar a fazer chichi na cama. E dar início a um rol de perguntas, que podem ser surpreendentes (e não é necessário saber a resposta a todas).
Como apoiar a criança?
    • Esteja disponível para ouvir os pensamentos e as histórias da criança. Deixe-a fazer perguntas e responda o mais honestamente possível. Limite-se a responder à pergunta, nem mais, nem menos, e não tenha medo de dizer que não sabe. Devolva com a pergunta “O que é que tu achas?”. Procurem as respostas em conjunto.
    • Reconheça a dor da criança. Abra a possibilidade de ela se expressar, ao seu jeito. Ou seja, sem pressionar. Se a criança está a chorar é melhor dar-lhe um abraço e dizer algo como “Eu sei que dói!”, ao invés de tentar proteger a criança da dor com distrações, conselhos e prendas. Não diga à criança que sabe como é quando na realidade não sabe. Evite os obstáculos à comunicação
    • Procure estar realmente presente quando está com a criança. Se também está de luto pode ser um grande desafio, mas tente ao máximo manter-se conscientemente presente com a criança no aqui e agora.
    • Seja honesto. As crianças sabem sempre quando as coisas não estão bem. Comunique com ela de forma simples, honesta e clara sobre o que se está a passar e o que se passou. Diga o que sente. Não minta.
    • Se a criança nunca tomar a iniciativa para falar, faça perguntas. É comum a criança guardar o seu sofrimento para não fazer os adultos, que também estão a sofrer, sofrer mais. Os adultos interpretam isso como sinal de que “já passou” e não querem lembrar à criança o sucedido para que ela não volte a entristecer.

    • Crie estrutura e segurança. Todos temos necessidade de sentir segurança e certeza nas nossas vidas. Quando alguém próximo morre, essas necessidades são abaladas. Ajude a criança a manter rotinas, rituais e tradições, e/ou a criar novas rotinas, novos rituais e novas tradições que possam criar uma nova base de estrutura e segurança.
    • Seja um porto seguro. Para satisfazer as necessidades de segurança e controlo, a criança também tem de saber que é cuidada. Que existe alguém que pode oferecer um espaço emocional e fisicamente seguro para a sua dor. É também relevante evitar que a criança sinta que tem de assumir responsabilidade pela dor das outras pessoas.
    • Recorra à criatividade! A atividade criativa é uma ferramenta importante para trabalhar a dor da perda. Ofereça à criança opções diversas para exprimir as suas emoções. Pode ser desenhando, escrevendo, fazendo trabalhos manuais, brincando, ouvindo música, etc.
    • Recorra à atividade física! Emoções fortes e desafiantes (como, por exemplo, o luto exprimido em agressividade e raiva) podem ser libertas através de atividade física.

Quando deve procurar ajuda profissional?

Deve procurar ajuda profissional se sentir que a criança continua a apresentar dificuldades durante muito tempo; nomeadamente em dormir, em concentrar-se, problemas com amigos e na escola ou um comportamento depressivo.
O luto, por norma, é trabalhoso, doloroso e cansativo. Tanto física como emocionalmente. É importante lembrar-se de que cada criança tem as suas reações e o seu processo de luto, e que cabe ao adulto adaptar-se às suas necessidades. E, neste processo, esteja consciente de que os seus dois contributos mais poderosos poderão ser a sua presença consciente e o reconhecimento dos estados emocionais da criança.
Mikaela Övén
Estudou ciências comportamentais na Universidade de Lund, Suécia, e é licenciada em Recursos Humanos com a especialidade de desenvolvimento de competências pela Universidade de Malmo, Suécia. É coach e practitioner em Programação Neurolinguística, certificada em Competências de Relacionamentos nas Escolas, facilitadora Family Lab e instrutora de Mindfulness certificada desde 2012. Estudou Generative Coaching, Family Communications e Positive Parenting. É também fundadora da Academia de Parentalidade Consciente. Trabalha também com empresas, organizações, escolas e infantários, facultandoworkshops, cursos e consultoria. 

http://www.portoeditora.pt/paisealunos/para-os-pais/noticia/ver/?id=79964&langid=1&showcats=0&utm_source=artigo_%2079964&utm_medium=facebook%20&utm_campaign=PaiseAlunosFBPE

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Às vezes, para seguirmos em frente, temos que ignorar algumas pessoas

Para sermos felizes temos que saber ignorar muitas pessoas. Temos que aprender a viver e a esquecer aquelas palavras ou sentimentos que pretendem nos anular.
Há pessoas que são conflitivas e que nos atormentam com suas queixas, com seus julgamentos e com seus dramas. Isso pode ser cansativo, entristecedor e altamente tóxico, pois condiciona o nosso bem-estar à incerteza de suas ações.
Por isso temos que deixar de nos alimentar daquelas trocas que nos sugam a energia e nublam nossa realidade. Portanto, o primeiro que temos que aprender é a ignorar certas pessoas naqueles momentos nos quais estão nos fazendo mal.

Afaste-se de tudo o que se afastar de você


Afaste-se do que faz mal, do que escurece sua vida, do que se torna pesado. Afaste-se das pessoas tóxicas porque sua saúde irá agradecer. Não permita que seu mundo se desmorone.
A balança emocional deve ser inclinada para o lado do seu bem-estar, mas talvez seja necessário abraçar os demônios, para conseguir vê-los como “menos ruins”. 
Não se esqueça de que, de vez em quando, temos que nos descarregar. A mente, assim como o corpo, deve se desintoxicar de radicais livres, de emoções negativas, de passados conflitivos, de pessoas que a desestabilizam.
Deixar ir embora o sofrimento
Dizer adeus ao sofrimento pode ser uma tarefa complicada, mas às vezes é importante parar e restabelecer nossas prioridades. Por isso devemos agir para deixar escapar as emoções dolorosas, aquelas que não são saudáveis e que nos atormentam, que nos impedem de evoluir.
Como em seu dia disse Epícteto, “o que nos perturba não são os fatos, mas o que pensamos sobre eles”. Por isso é importante que saibamos identificar, expressar e valorizar nossas emoções de maneira estratégica. Vejamos a seguir:
1. Expressando nossos sentimentos e emoções   

Às vezes não precisamos que uma mente brilhante nos fale, mas sim que um coração paciente nos escute. Nossas emoções nascem para ser experimentadas, por isso retê-las por medo só consegue turvar nossa realidade. 
2. Analisando as crenças que sustentam as emoções dolorosas

É natural nossa preocupação em render bem nos estudos, mas não podemos nos aterrorizar pelos nossos erros, pois dessa forma só alimentamos maus sentimentos. Ou seja, não há pior tormenta do que a que alguém se forma na cabeça.    
          3. Transformando, liberando e filtrando esses       
      sentimentos e emoções           
Analisar nossas emoções e sentimentos não é suficiente; devemos explorar o que se esconde por trás deles. Esta é a única maneira de nos libertarmos. Pode ser que seja inevitável ter uma parte “não saudável” em nossas emoções e pensamentos, mas o que temos que ter claro é que não devemos alimentá-la.
     
Não deixe ir embora as  pessoas que tornam seu mundo mais lindo, deixe partir as que o anulamConserve em sua vida tudo aquilo que o ajuda e aquilo que o torna uma pessoa melhor. 
Cuide e enriqueça sua vida com relações que sustentem seu bem-estar. Faça-o sempre de maneira sincera, com afeto e com respeito. Mantenha sua porta aberta para as boas pessoas e ignore tudo aquilo que faça mal a você; sua saúde vai agradecer.


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