sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A escola e a socialização.

"No começo da escolaridade, entre 6 e 9 anos de idade, a criança entra em nova fase de desenvolvimento, caracterizada pela intensificação e pelo estabelecimento das relações sociais entre companheiros, pela valorização a outros vínculos afetivos extrafamiliares, pelo surgimento de uma atitude mais objetiva a respeito da realidade, pela superação da intuição pelo raciocínio no plano concreto, e pelo aparecimento discreto da interioridade (OSTERRIETH, 1969; GRIFFA; MORENO, 2001). O desenvolvimento social e intelectual parecem constituírem-se nos aspectos principais do crescimento da personalidade neste nível, caracterizado pela ruptura do quadro familiar e da mentalidade infantil primitiva."



    "Griffa e Moreno (2001), acrescentam ainda que o ingresso da criança na escola é marcado pelo desenvolvimento da iniciativa pessoal, onde a criança consegue realizar metas e interesses individuais, assim como é marcado por profundas mudanças no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Referente ao desenvolvimento cognitivo, a criança centra a atenção nos jogos sociais e na atividade grupal entre pares. No desenvolvimento emocional há um certo controle ao expressar as emoções e sentimentos e uma relativa estabilidade psicológica e corporal, o que permite que o aprendizado passe a desempenhar um papel central no desenvolvimento."



    "A entrada na escola é um período decisivo para a socialização. Pressupõe a realização de tarefas e a possibilidade de partilhar objetos e experiências com os demais. A energia é direcionada para os vínculos interpessoais com seus pares, de modo que a criança desenvolve a capacidade de comunicação e de integração grupal (GRIFFA; MORENO, 2001). Para Cole e Cole (2004), o aumento da interação das crianças com seus pares é ao mesmo tempo uma causa e um efeito do seu desenvolvimento durante a segunda infância. Elas passam mais tempo com os amigos porque há um aumento na capacidade para pensarem e agirem por si mesmas."



" Estudos têm documentado a importância das relações com os pares para o desenvolvimento cognitivo da criança. Spodek e Saracho (1998) apresentam os resultados de algumas pesquisas: Guralnick (p. 144) observou que a interação social com outras crianças aperfeiçoa as habilidades de comunicação, à medida que as crianças ajustam a complexidade da sua linguagem para se adequarem ao nível cognitivo de seu interlocutor; Hartup (p. 144) demonstrou que as trocas entre pares ensinam as crianças a compartilhar, a responder apropriadamente à agressão e a desenvolver comportamentos adequados a seus papéis sexuais; Murray e Perret-Clements (p. 144) demonstraram que as trocas sociais com pares mais competentes resultam em ganhos nas habilidades cognitivas. Em uma revisão de pesquisas sobre as relações entre as crianças, Ladd e Coleman (p. 144) concluíram que elas são capazes de construir relações com pares nas quais ajustam mutuamente suas interações com as crianças que preferem."


"  De acordo com Martins (2001), com o decorrer do desenvolvimento cognitivo e social, as crianças passam para outro tipo de relacionamento, o da cooperação ou autonomia, em que impera a crítica, o controle mútuo, a confiança e a cooperação. O processo, segundo Piaget apud Martins (2001), ocorre em dois momentos: num primeiro momento, as relações de respeito unilateral e de coação se estabelecem quase que espontaneamente entre a criança e o adulto, pois, com a observação, os pais transmitem uma série de rotinas, das quais as crianças não têm compreensão e as quais devem simplesmente seguir. Isso, associado ao egocentrismo e ao realismo infantil, forma o padrão de relacionamento criança/adulto. Num segundo momento, com o desenvolvimento dos esquemas cognitivos e a ampliação das relações sociais e com a inclusão de novos companheiros, começam a se desenvolver novos tipos de relações. Desta forma, a regra, que antes era dada pronta e imutável, passa a ser objeto de discussões, para finalmente ser passível de mudanças, desde que haja consenso entre todos os envolvidos na situação. É o surgimento da moral de cooperação ou autônoma."



http://www.efdeportes.com/efd155/os-jogos-de-regras-no-desenvolvimento-de-criancas.htm

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