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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A inteligência emocional e a importância na vida das pessoas

Provavelmente já ouviu e talvez esteja até acostumado a ouvir que pessoas com um maior quociente de inteligência – o famoso Q.I – são as que se dão melhor em suas carreiras profissionais. O que você talvez não saiba é que existe outro tipo de inteligência, a emocional, que parece ser o segredo por trás de muitas pessoas de sucesso.
Se esse tipo de inteligência é emocional, você já deve imaginar que não é o tipo de coisa que se aprende na escola nem depende de equações matemáticas ou fórmulas bizarras. Basicamente, inteligência emocional é a habilidade que uma pessoa tem de perceber, entender, avaliar e administrar suas próprias emoções e também as emoções dos outros, de maneira positiva.

Por mais que em um primeiro momento isso possa parecer fácil, administrar as próprias emoções não é exatamente a tarefa mais simples do mundo. É preciso autocrítica, reflexão, meditação e empatia – só para citar alguns fatores. Isso tudo afeta a maneira como nos comportamos, tomamos decisões e interagimos socialmente.
E se você acha que isso é tudo uma grande mentira, saiba que a ciência já descobriu que pessoas com altos níveis de QI são superadas 70% das vezes por pessoas emocionalmente inteligentes. Basicamente, saber controlar suas próprias emoções, refletir sobre elas e colocar suas conclusões em prática pode fazer com que você se dê melhor do que o “gênio” da turma.
Aliás, que fique claro que não se trata de uma competição entre inteligências. O intuito aqui é talvez fazer com que você comece a observar que seus pensamentos têm uma lógica que talvez até você mesmo desconheça, e que buscar entender as próprias emoções é uma das atividades mais instigantes de todas.

Pessoas com uma inteligência emocional bem desenvolvida são geralmente consideradas autoconfiantes, persistentes, motivadas e capazes de controlarem a si mesmas. Não quer dizer, no entanto, que estamos falando de pessoas conhecidas como “meigas” ou “fofas” ou alguém que está à procura de aprovação constante – essa é uma confusão bastante comum.
De acordo com um expert no assunto, Travis Bradberry, pessoas com um nível alto de inteligência emocional procuram ser bem sucedidas, conseguem controlar suas emoções, têm um bom convívio social e constantemente avaliam suas próprias atitudes e seus pensamentos.
Pesquisas recentes já comprovaram: pessoas emocionalmente inteligentes são aquelas que mais se dão bem em seus ambientes de trabalho. Um desses estudos, só para você ter ideia da dimensão da coisa, avaliou a vida de 17 mil pessoas, desde quando eram crianças até chegarem à fase adulta, por um período de 50 anos. O resultado: as pessoas consideradas emocionalmente inteligentes eram mais bem sucedidas em suas profissões do que aquelas com grandes pontuações de QI.
E não acaba aqui! Há pesquisas que sugerem que pessoas que desenvolveram a inteligência emocional na adolescência ou no início de sua fase adulta não apenas têm sucesso em suas profissões como vivem relacionamentos amorosos longos e estáveis, além de apresentarem baixos níveis de depressão e ansiedade. Há evidências, inclusive, de que essas pessoas são até mesmo mais saudáveis.
Empatia
De acordo com o psicólogo Daniel Goleman, os cinco elementos que precisam ser trabalhados para o desenvolvimento de uma mente emocionalmente inteligente são: autoconhecimento, autocontrole, motivação, habilidades sociais e empatia.
Desses itens, o que pode ainda ser desconhecido é a empatia, que, de maneira geral, é a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. Alguns cientistas sociais e políticos dizem que essa palavrinha pequena de significado imenso poderia melhorar muito o mundo no qual vivemos.
Duvida? Então que tal começar a pensar duas vezes antes de julgar alguma pessoa por seu status social ou por suas atitudes? Em algumas situações, só quem sente na pele como é passar por determinada experiência pode falar com propriedade sobre ela. E, sim, vale reforçar: esse tipo de exercício social pode fazer de você não apenas uma pessoa mais sensata, mas também uma pessoa de sucesso.
E você?
Ainda de acordo com Goleman, pessoas que exercitam as cinco características acima tendem a parecer confiantes, são boas naquilo que fazem profissionalmente, atingem seus objetivos, são adaptáveis e flexíveis. São pessoas resilientes e capazes de se recuperar de situações estressantes. “A vida é muito mais suave se você tiver uma boa inteligência emocional”, resume o psicólogo.
Apenas profissionais da área de psicologia podem identificar com precisão se uma pessoa tem ou não um nível alto de inteligência emocional, ainda assim uma maneira popular de tentar descobrir como anda a sua inteligência emocional é avaliar sua capacidade de reconhecer expressões faciais. E aí, você é bom em saber o que alguém está sentindo apenas ao olhar as expressões faciais dessa pessoa?
Inteligência emocional e ambiente de trabalho
Estudos indicam que empresas tendem a promover funcionários bem-humorados e que têm uma boa relação com os outros, dois fortes indícios de inteligência emocional. Esse padrão muda um pouco quando olhamos para cargos de diretoria: no geral, são pessoas com os menores índices de inteligência emocional. Bizarro, não?
Ainda não se sabe ao certo por que isso acontece, mas acredita-se que essa baixa inteligência emocional tem a ver com o fato de que diretores e CEOs são profissionais que interagem pouco com os funcionários de nível básico e não entendem como suas decisões podem impactar os outros – de novo, uma questão de empatia.
Por outro lado, muitas grandes empresas já começaram a contratar funcionários com altos níveis de inteligência emocional, como é o caso da Força Aérea dos EUA, que tem recrutado pessoas por meio de testes emocionais, avaliando questões de empatia, assertividade, felicidade e autoconhecimento. Financeiramente falando, contratar esse tipo de pessoa significa, para a Força Aérea norte-americana, economizar US$ 3 milhões por ano.

Como melhorar a sua inteligência emocional
De acordo com uma publicação da Harvard Business Review, estes são comportamentos típicos de pessoas com baixa inteligência emocional. Se você tem algum deles, dá sempre para tentar mudar:
  • Você frequentemente tem a sensação de que os outros não entendem o que você fala e isso o deixa frustrado.
  • Você se surpreende quando as outras pessoas se sensibilizam com seus comentários e sempre acha que elas estão exagerando.
  • Você acha que ter uma boa relação com as pessoas do seu trabalho não é algo importante.
  • Você cria, com relação aos outros, as mesmas expectativas que tem sobre si mesmo.
  • Você culpa os outros pelos problemas que sua equipe de trabalho enfrenta.
  • Você acha irritante quando alguém espera que você saiba como ele está se sentindo.
https://www.megacurioso.com.br/comportamento/69776-entenda-o-que-e-inteligencia-emocional-e-por-que-ela-e-importante-para-voce.htm

terça-feira, 30 de maio de 2017

A linguagem dos afetos e as crianças

 


"Fale de forma bondosa comigo, sem levantar a voz, mas com a firmeza de quem pode me convencer de tudo o que sou capaz de fazer. Fale comigo com sorrisos mais uma vez, para que eu aprenda rápido que neste mundo manda o amor, e não o medo. Presenteie-me palavras de afeto sempre que puder para que eu possa dominar o quanto antes a linguagem das emoções…
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Vivette Glover, psicobióloga perinatal do Imperial College de Londres, afirma que a educação emocional começa desde que o bebê está no útero materno. Pode parecer algo surpreendente e até mesmo difícil de acreditar, mas durante o terceiro semestre de gestação o bebê é muito sensível às vozes que escuta do mundo exterior. O líquido amniótico é um grande condutor do som, e embora o feto não compreenda a linguagem como tal, ele tem uma grande sensibilidade pela carga emocional decorrente desses tons, dessas palavras.
Quando chegamos ao mundo, estamos intimamente vinculados à voz da nossa mãe e a esse mundo emocional que a acompanhou ao longo desses meses delicados de gestação. Não somos, portanto, estrangeiros em terra estranha. O bebê já sabe do grande poder que a linguagem afetiva tem. Na verdade, Michel Odent, famoso obstetra francês, nos recorda que assim como devemos nos preocupar com que as revisões médicas sejam cumpridas, também é importante dar atenção ao mundo emocional da grávida.
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O mesmo ocorre com a criança de 2, 3 ou 5 anos. Podemos dar o melhor a ela, boas roupas, alimentação equilibrada, brinquedos que reforcem sua estimulação precoce… No entanto, se não a nutrirmos de afeto, de segurança e confiança através de uma linguagem sábia em emoções, essa criança não crescerá como deve. Seu cérebro irá desenvolver carências e experimentar vazios que, quando chegar à adolescência, serão preenchidos de outra forma.
As palavras não matam, mas têm um grande poder para ferir. Todos sabemos disso, todos já vivemos isso de alguma forma, no entanto, apesar de sabermos muito bem disso, às vezes descuidamos da forma como nos dirigimos aos nossos filhos pequenos e até mesmo adolescentes. A linguagem tem o poder de criar um tipo de arquitetura determinada nos cérebros mais jovens, e isso é algo que como pais, mães, avós ou educadores, jamais devemos descuidar.
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Uma palavra má, um desprezo, um “você faz tudo errado”“você é o mais burro da sala” ou um “você me sufoca, me deixa em paz”, deixa uma marca no mundo emocional da criança até o ponto de gerar estados de stress ou até mesmo depressão infantil.
Experiencias realizadas no centro de Atlanta Speech School demonstram que algo tão simples como fazer uso da linguagem positiva promove atitudes mais comprometidas nos alunos. Isso os encoraja, acima de tudo, a ter uma visão mais positiva de si mesmos para se superarem.
O mais complicado de tudo isso é que, lamentavelmente, nem todos os pais são hábeis na hora de fazer uso de uma linguagem emocional afetiva e transcendente. Falar “bonito” requer intuição, vontade, tempo, paciência e, acima de tudo, ter se curado como mulher ou como homem para poder exercer uma paternidade digna, respeitosa e que permita a essa criança não só crescer em altura, como também em segurança, autoestima e inteligência emocional.
Daniel Goleman explica-nos no seu livro “Inteligência Emocional Infantil e Juvenil” que às vezes os adultos chegam a abusar do reforço positivo até o ponto de fazê-lo perder todo o seu valor. As crianças diferenciam muito bem a autenticidade do cansaço ou da simples falta de interesse.
Quando o pai ou a mãe diz que “sim, é mesmo um desenho muito bonito” para o seu filho de 8 anos sem nem sequer olhar para o próprio caderno porque está com pressa, essa criança não fica com a mensagem. Ela fica com a atitude dos pais. Porque um “fale com bondade comigo” não é fazer uso dos chavões positivos de rigor. É nos determos, é atender e, acima de tudo, saber conectar.
A comunicação afetiva tem como principal estratégia este mesmo elemento: saber se conectar com a mente, com as emoções e com o cérebro dos nossos filhos. Nós explicamos como fazer isso.
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Princípios para se conectar com os filhos através da linguagem emocional

Às vezes, quase sem percebermos, fazemos uso de estratégias muito pouco pedagógicas com as crianças. Deve ser dito, porém, que não fazemos isso com má intenção. Simplesmente não entendemos ainda como as crianças processam as informações ou que necessidades elas têm em cada etapa do seu crescimento pessoal.
Estas são algumas estratégias simples.
  • Evite os discursos longos. Se você tem que ensinar algo ao seu filho, fazer uma correção ou explicar-lhe alguma coisa em concreto, lembre-se da regra dos 30 segundos. É o tempo máximo ao longo do qual uma criança de poucos anos irá prestar atenção.
  • Dar múltiplas advertências não serve de nada. Algo bastante comum é que todo pai ou toda mãe com grandes pressões no dia a dia tem filhos que são lentos em “reagir”. Isso acontece porque eles passam a maior parte do tempo os apressando: se apresse, levante, vista-se, faz isso, faz aquilo…
  • Este tipo de verbalização em forma de ordem nunca irá permitir a conexão com nossos filhos. As crianças sabem que depois de uma ordem vem outra, por isso, não vale a pena obedecer a primeira. Isso não é o adequado. Não se educa as crianças às pressas, mas sim com paciência e proximidade. Às vezes, basta dar apenas uma indicação com firmeza na voz, proximidade e pensando bem na finalidade para promover e resolver uma conduta.
  • Escute quando os seus filhos falarem com você, demonstre que cada palavra que eles dizem é importante para você. Esqueça o mundo ao seu redor. Não há pressa, cultive a paciência.
  • Pronuncie o nome da criança com afeto e não faça uso de respostas simples ou condescendentes quando for responder.

O diálogo com seus filhos deve despertá-los, dar-lhes uma injeção de curiosidade, de descobrimento e de afeto, para que eles desenvolvam uma consciência mais segura, plena e feliz todos os dias, em todos os momentos.
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