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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A importancia da autonomia no crescimento da criança

Poucos seres nascem tão dependentes quanto os humanos. Precisamos de um longo período de tempo para sermos capazes de andar, nos alimentar e poder nos relacionar corretamente com tudo que nos rodeia.
Muitas vezes escutamos os pais falarem do desejo de que seus filhos tenham independência, mas por outro lado também vamos muitos pais superprotetores. É fundamental, no entanto, para um desenvolvimento adequado, que os pais incentivem a autonomia de seus filhos.

O que entendemos por educar com autonomia?

Obviamente, quando falamos da educação do filhos, não podemos exigir o mesmo grau de autonomia em todos os estágios de desenvolvimento, uma vez que a exigência deve ser coerente com o momento cognitivo da criança.
Vejamos em linhas gerais:
Entre um ano e meio e três anos, pode-se começar a trabalhar a autonomia, embora restrita ao fato de poder andar e mover-se sem ajuda. Na linguagem se deve exigir que comece a pedir o necessário (água, xixi…).
Dos três aos cinco anos, a linguagem se desenvolve bastante, e partir daí incentivaremos modelos de comportamento autônomo para que a criança seja capaz de comunicar seus desejos e necessidades a pessoas fora da família. Em outro nível, você pode começar a exigir que coma sozinho, durma sozinho, vista roupas simples e adquira modelos básicos de higiene. Também é o momento de realizar pequenas tarefas como recolher seus brinquedos.
Entre os cinco e os oito anos, a responsabilidade começa a girar em aspectos mais escolares e de relações sociais. Consolida-se a autonomia conseguida nos hábitos alimentares, de sono e de higiene e cuidado pessoal. E começa-se a exigir dele a autonomia na hora de brincar e estabelecer o seu tempo livre, de fazer os deveres. Em casa, pode-se ampliar suas tarefas domésticas básicas: arrumar o seu quarto, ajudar a colocar e tirar a mesa.
Dos oito anos até a adolescência, a criança começa a conhecer a si mesma, suas habilidades e erros e começa a antecipar consequências. É hora de começar a educação com responsabilidade total para as tarefas escolares, o planejamento do lazer e tarefas domésticas.

 

Modelos para incentivar a autonomia dos filhos

Embora às vezes seja uma tarefa esgotadora, é necessário encontrar modelos que permitam que a criança seja independente e responsável.
Basicamente podemos sugerir os seguintes:
Metas realistas: como vimos, cada idade apresenta uma série de tarefas nas quais se pode pedir autonomia, mas também cada criança tem suas próprias restrições.
Perseverança: em qualquer tarefa relacionada com a educação dos filhos, é necessário ser constante no que se está pedindo que façam.
Tarefas como brincadeira: principalmente nas primeiras idades, é necessário encorajar ao invés de impor, e a brincadeira pode ser uma das melhores ferramentas.
Criar rotinas: especialmente para a independência nos hábitos alimentares, sono e higiene, é necessário que a rotina esteja presente para dar ao seu filho segurança no que deve fazer.
Reflexão sobre erros e acertos: conforme a criança cresce, cresce também a importância da comunicação.

Apoio emocional: ajudá-los a superar seus medos, recuperar-se de suas frustrações quando algo não vai bem e elogiá-los quando o fazem, é fundamental.
Em suma, autonomia é um aspecto importante da personalidade a ser incentivado para que a criança se desenvolva adequadamente.




https://amenteemaravilhosa.com.br/incentivar-autonomia-dos-filhos/?fbclid=IwAR0Sl47pFkkELNiIr-
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O papel do Educador Social (1ª parte)

Um educador social faz escolhas que vão desde trabalhar com pessoas que, nos mais distintos momentos e nas mais distintas circunstâncias, precisam de apoio porque sofrem ou têm problemas com os quais não sabem ou não podem lidar. É um trabalho que não basta apenas saber fazer, mas gostar de fazer, sendo muito importantes as motivações, a empatia, o compromisso com a mudança, o crescimento pessoal. Como tal, torna-se primordial conhecer as suas aptidões e capacidades bem como as suas limitações, no sentido de superar obstáculos, pois cada educador social tem um estilo próprio, pessoal e único em saber e em fazer. A formação de um educador social nasce da interceção de várias práticas e identidades profissionais, que têm em comum uma intencionalidade educativa e uma intervenção em e a partir dos mais variados contextos. A sua ação não pode continuar a ser vista como uma experiência inacabada e imperfeita e como tal necessita, sempre e cada vez mais, de uma  sustentação teórica e prática adequada aos desafios que a sociedade lhe coloca. Ele é um dinamizador de grupos, capaz de lidar com os afetos, as emoções, as angústias, os êxitos e as desilusões das pessoas, um agente promotor de mudanças e de aproveitamento dos recursos humanos e materiais disponíveis, quer a nível local, quer a nível regional. As suas áreas de intervenção vão desde a saúde, à infância e juventude, à educação escolar, às autarquias, à justiça e à reeducação, onde é um interlocutor e um mediador privilegiado em assuntos que interessam ao coletivo. Atua no terreno como autor/ator de estratégias contextualizadas, criando pontes socioeducativas que, com o apoio da teoria e da prática, o levam a gerir as problemáticas sociais da realidade em que intervém. Para tal, visando a melhoria do seu desempenho profissional, deve aprofundar as suas qualidades pessoais, fazendo da paciência, da tolerância, do autocontrolo, da empatia, do altruísmo e do equilíbrio as armas fundamentais para um trabalho de sucesso.



O papel do educador social 

O educador social desempenha um papel importante junto dos sujeitos com os quais interage, pois dele depende uma integração social positiva nos contextos em que vivem. O seu trabalho, orientado por critérios de competência profissional baseada em metodologias e técnicas orientadas para uma prática social de intervenção, corresponde, no dizer da Carvalho e Baptista (2004), a um espaço profissional desenhado no ponto de encontro, e de cruzamento, entre a área de trabalho social e da área da educação (p. 83). A sua relação com os outros deve pautar-se por comportamentos de respeito e de combate a todas as situações discriminatórias, trabalhando, no dizer de Diaz (2006) para uma socialização terciária (…) ou seja, o processo mediante o qual se pretende que um indivíduo se reintegre na sociedade depois de ter revelado condutas anti-sociais, associais o dissociais (p. 100), visando a inclusão plena dos diversos atores sociais. Segundo Borda Cardoso (s/d) a definição do papel profissional do Educador Social passa pelo tipo de desempenho que dele se espera, do que ele sabe e é capaz de fazer no quadro das competências para que foi preparado e das respostas emergentes aos desafios laborais (p. 8). Para Noguero e Solís (2003) o objetivo final das ações do educador social é conseguir a participação de todos os membros do grupo com o fim de transformar a realidade. (…) supõe a criação de um processo de ensino – aprendizagem de uma série de valores, atitudes e estratégias que estejam de acordo com o espírito crítico, a participação ativa, a transformação social, etc. (p.6). Ao procurar consolidar e renovar as redes sociais já existentes, pode, também, criar novas redes de espaços de pertença e referência afetiva, atuando de forma direta, mas sem tomar partido ou dar a solução. Deve escutar, estar atento, conduzir as respostas dos verdadeiros protagonistas, criando, no dizer de Carvalho e Baptista (2004), a chamada distância óptima, que conjuga racionalidade com sensibilidade e serenidade (p. 93). Na criação de pontes entre o indivíduo, a família, as instituições e a sociedade em geral, em áreas que vão desde lares da terceira idade, às escolas, prisões, hospitais e autarquias, ele desempenha o papel de um interlocutor privilegiado, apontando caminhos para a solução de problemas vividos e sentidos nos contextos em que intervém. 



Para Noguero e Solís (2003) o educador social marca a forma de trabalho no grupo, proporcionando ferramentas necessárias (atitudes, valores, capacidades, motivação, etc.) para que a autonomia do mesmo cresça progressivamente (…) (p. 7). A sua figura tem um caráter “eventual” no tempo de vida do grupo com o qual trabalha e, por conseguinte, trata de facilitar em todo o momento que o grupo aprenda e adquira os meios necessários para uma autogestão individual e coletiva (p. 7). Carvalho e Baptista (2004) referem quão difícil é conciliar num mesmo ator o desempenho simultâneo de papéis, pois consideram o educador social como um prático, porque é pragmático e concreto, como um militante, dado ser um idealista que luta pelas suas convicções e como um especialista, porque é um prospetivo que balança entre o militante e o prático (p. 84). Esta relação não pode ser conflitual, mas complementar. Além de tutor é também um mentor, companheiro que assegurará um desenvolvimento harmonioso de uma identidade pessoal e profissional com base na maturação decorrente de um autêntico encaminhamento identitário (p. 87), ouvinte, conselheiro, disponível, dialogante, amigo institucional. Referem-no, ainda, como um actor social, porque vive a complexidade da vida em sociedade, enquanto protagonista de um determinado contexto social e histórico-geográfico, como um educador porque procura viabilizar a escolha dos seus projetos, como um mediador social, porque resulta da dinâmica entre o ator e o educador, presente e distante, empreendedor, gestor de conflitos interpessoais e intergrupais, que, sem serem tomados como indivíduos providenciais, ajudam a procurar caminhos pessoais, promovendo a capacidade de decisão e de participação dos indivíduos ao mesmo tempo que são integrados em redes sociais que possam apoiar o processo de reconstrução das respectivas identidades (p. 92).


 Os educadores são, (…) promotores privilegiados da condição humana e é nesse sentido, justamente, que são reconhecidos como técnicos da relação, o que torna esse seu carácter técnico irredutível a qualquer lógica instrumental. Enquadrada por uma perspectiva pedagógica, a relação humana surge-nos sempre mais do que uma simples ferramenta (Carvalho e Baptista, 2004, pp. 95-96). 
O educador social é tido como uma referência, pois não está em causa apenas o saber mas o próprio educador como pessoa, com os seus medos, as suas angústias, as suas incertezas, as  suas dúvidas, as suas convicções, as suas verdades e os seus sonhos e é esta amálgama de sentimentos que lhe confere um papel determinante em todo o processo pedagógico. A sua intervenção acontece num espaço pedagógico subjetivo que o compromete com a promoção da cidadania e se pauta por valores éticos, enfrentando situações profissionais de conflito ou de dilema, sempre analisados numa atitude reflexiva. Não se pode escamotear que o papel do educador social tem sido objeto de auto e heterorreflexão que passa por um(a): - processo lento e recente da configuração profissional das incumbências; - dificuldade na partilha de funções com outras profissões da mesma área; já existentes ou apenas emergentes; - reservas quanto ao esboço de acções sistemáticas em prol de uma intervenção educativa não escolar; - peso de uma tradição voluntarista e benévola, entretanto, em crise; - instabilidade epistemológica no terreno da fundamentação científica dos respectivos saberes e práticas (Carvalho e Baptista, 2004, p. 85). A sua atuação assenta em modelos e princípios que evoluem com o tempo. Carvalho e Baptista (2004) falam-nos do modelo tutelar, do período caritativo, até 1965, que coloca o amor pelo outro como determinante na educação, sendo o educador uma figura familiar com autoridade e com sérios riscos de criar uma dependência, do modelo técnico, do período científico de 1965 a 1990, que apela ao rigor científico porque tem em conta a subjetividade do modelo anterior e o modelo reflexivo, a partir de 1990, em que o educador problematiza a complexa realidade das situações, impondo-se de forma autónoma e responsável, de acordo com os problemas que se lhe deparam (p. 103). Mas, em todos os momentos, é preciso respeitar os outros aplicando, no dizer de Carvalho e Baptista (2004), os princípios da liberdade, para nós e para os outros, da emancipação, atuando com independência, da verdade, cultivando a verdade e a autenticidade do valor da vida na relação com os outros, do autodesenvolvimento, onde o bem - estar físico, mental e social de todos é fundamental e da privacidade no respeito pela integridade do ser humano (p. 103). 


Carvalho, A. D e Baptista, I. (2004). Educação Social – Fundamentos e estratégias. Porto: Porto Editora. Carneiro, R. (2000). |O Futuro da Educação em Portugal. Rendências e Oportunidades. Lisboa: Ministério da Educação. Borda Cardoso, A. M. A. S. (s/d). Alguns desafios que se colocam à Educação Social. Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti. repositorio. esepf.pt/bitstream/handle/…/Cad_3Educacaosocial.pdf?. (Acedido em 2 de Outubro de 2011). Bottega, C. G. e Melro, A. R. C. (2010). Prazer e sofrimento no trabalho dos educadores sociais com adolescentes em situação de rua. Cadernos de Psicologia Social e do Trabalho, 13 (2), 259-275. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516- 37172010000200008&lng=pt&nrm=iso (Acedido em 16 de Outubro de 2011). Diaz, Soriano (2006). Uma Aproximação à Pedagogia - Educação Social Revista Lusófona de Educação, 7, 91-100. www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rle/n7a 06.pdf. (Acedido em 12 de Outubro de 2011). Gerson, Heidrich da Silva (2009). Educador social: uma identidade a caminho da profissionalização? Educação e Pesquisa, São Paulo, v.35, n.3, p. 479-493, http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=29812452005. (Acedido em 2 de Outubro de 2011).

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Autonomia na adolescência e sua relação com os estilos parentais

"Os pais se mostram como modelos, favorecendo ao filho captar a mensagem, interiorizando e utilizando-a quando necessário. Os pais utilizam o raciocínio, ensinam seus filhos a analisar as conseqüências de seus atos, promovendo, assim, valores de autodireção e valores pró-sociais. Neste caso, os filhos possuem um papel ativo na definição de sua conduta (Baumrind, 1971, 1978, 1991; Kochanska, Kuczynski e Radke-Yarrow, 1989). No estilo autoritário, os pais dão ordens, fixam regras que não podem ser discutidas e impõem castigos severos. As mensagens são transmitidas de modo impositivo e, deste modo, é provável que o filho adote uma atitude de submissão, acatando, momentaneamente, os valores, mas sem haver uma interiorização. Os pais autoritários fomentam valores de conformidade e inibem valores de autodireção (Maccoby e Martin,1983; Kochanska, Kuczynski e Radke-Yarrow, 1989). Já no estilo permissivo evidenciam-se altos níveis de comunicação e afeto e baixos níveis de exigência e, conseqüentemente, pouca supervisão ao cumprimento das normas. Os pais tendem a se adaptar aos filhos procurando identificar e satisfazer suas necessidades e exigências. As famílias indulgentes, de acordo com essa nova categorização, apresentam alto envolvimento afetivo, e baixo monitoramento e controle parental. Normalmente,são pais tolerantes, que fazem poucas demandas de comportamento maduro, permitindo que os filhos se auto-regulem. Neste sentido, fomenta-se a autonomia e a independência (autodireção) e inibem-se valores pró-sociais (de solidariedade e justiça). As famílias negligentes não são nem exigentes e nem responsivas. Estes pais não monitoram o comportamento de seus filhos e nem dão suporte para seus interesses. Os pais estão mais preocupados com seus próprios problemas e não engajados nas responsabilidades parentais.
Claudete Bonatto Reichert
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA/Canoas-RS)
Adriana Wagner
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)